Saturday, January 27, 2007

em obras

neste exato momento e por um bom tempo, estamos em fase de pesquisa e reedição dos textos. voltaremos sim. mas vai demorar um pouquinho. espero que você me espere com eu espero lhe ter de volta.

Sunday, November 26, 2006

vacinando-me contra o que não vacina


tenho quinze cachorros. antes que pense que um sou um louco não vacinado, digo-lhes que a eles vacino religiosamente.
procuro dar-lhes o melhor que posso, dentro daquilo que o dinheiro pode conseguir para protegê-los de virus, bactérias, e tranmissões de outras hediondices, até humanas, que o amor não afasta. e assim sendo, procuro, das melhores, as vacinas.

dizem os profissionais, do atendimento médico-veterinário, e das vendas, que as vacinas que realmente vacinam são as importadas. argumento das nacionais, e escuto o abanar de cabeças condenatório. imunes a qualquer argumento de que as mesmas vacinam alguma coisa e não sei se faro canino já impregnado, algo olha este aí armado em amante dos cães e querendo dar-lhes uma vacina que não imuniza nem o bolso, já que em alguns pontos de venda, saem por 3.75 reais, enquanto noutros, pela minha cara, ou seria pelo meu rabo? saltam para o patamar dos 10 reais, quando não a baba dos 14 reais. antes que você coloque o rabo entre as pernas se eu falar-lhe do preço das importadas, algumas chegam a 40 ou mais, faça as contas multiplicando nacionalmente por 15.

sei que muitos irão falar: quem manda disperdiçar dinheiro com esta vira-latada toda? tanta gente passando fome e o sujeitinho ai fazendo contas a prestação de 15 vezes não sei das quantas, mais do que suficiente para a compra de cestas básicas, estas piores, porque dois critérios de preços entre o nacional péssimo e o nacional menos pior, para bocas também não vacinadas contra a demagogia que serve algo pior que ração da pior qualidade para cães. e olhe que é servido por aqueles que se dizem amantes dos homens, quer dizer dos pobres. pobres deles, pobres dos cães.

e assim, ponho-me a pensar: que será dos cachorros alfinetados a torto e a direito nestas campanhas de vacinação, cujas vacinas, sabe-se lá em que condição de armazenamento, digamos, nacionais? se as tais nacionais, dizem os vendedores e veterinários, nacionais, se bem que na categora até encontremos alguns importados, dizem que não server?

servirão eles? e servirá, para os cães, e neste caso nós, um governo de um país que através de suas entidades de controle epidêmico, ditas de higiene ambiental, de saúde animal, permitem, estimulam, se não uma coisa outra? — ou a verdade de que não servem ou a mentira comercial pensada para estimular a diferenciação que justifique o preço animal de algo que está ligado intrinsecamente ao nosso bem estar e a saúde da população?

estou disposto a pagar bem mais do que quarenta reais por uma vacina que nos imunize contra este tipo de autoridade infectada. o problema é que tem de ser uma vacina nacional. e nacional, dizem, vocês já sabem, não presta.

neste caso, ainda é melhor a doença, do que a solução importada, acredito, a espera de que se desenvolva tenazmente algum tipo de auto-imunização a esta pandemia.

meus cachorros, porém, tem muitas dúvidas de que isso aconteça alguma vez. eles já foram vacinados por ambas e continuam em estado de risco.

quanto a mim, pensando bem, posso dizer o mesmo.

(originalmente publicado no bompracachorro.blogspot.com)

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Friday, October 06, 2006

15 minutos de fama ou em toda fila tem um fila da puta


fila de banco, fila de supermercado, fila de loteria, fila dos correios, fila do ingresso, fila da fila da fila da fila fila. fila de caixa rápido( uai? mas num é rápido?)

mas a questão aparente não é esta. a fila em princípio e a estratificação horizontalizada da falsa democracia social. quem chega primeiro leva ou farinha pouca meu pirão primeiro. antes fosse, se já não houvessem os fileiros por profissão já já quase regulamentada.

toda fila é uma furada ou melhor, nasceu para ser furada. quer por conveniências quer por, digamos, deficiências de base. e o que é pior, a fila, que era uma instituição que de tão amarga era grátis, agora tornou-se paga. e é mesmo o caso de dizer que quando você está numa fila, literalmente você está fudido e mal pago.

vem a fila para consecução dos seus direitos e aí começa a dar pro torto. primeiro que a fila, a exceção de alguns lugares como bancos particulares estabelecimentos dentro dos shoppings e supermercados, é sempre num lugar escabroso, principalmente para idosos e crianças, sem falar nas filas do banco do brasil e caixa econômica, sempre até as calçadas. na rua, no sol e chuva e ao deus dará, só perde pra fila de inss, quem tem os cambistas mais cruéis de todas as torcidas atuando como fileiros da desgraça alheia.

não bastasse a crueldade e o pisoteado na cidadania de uma fila só, inventaram a fila das filas para fomentar a idéia de sociedade dos bons modos e do politicamente correto. ai surgem as filas das filas. fila das grávidas, dos idosos, dos portadores de deficiência – a deficiência econômica não conta, esta está sempre no fim da fila – que por sua vez fomentam outro tipo de fila, a dos filas das putas que ora atravessam estas filas, ora aproveitam-se destas, para conduzir a fila de volta ao começo.

nas filas mais simples o fila da puta está lá. na loteria ele é aquele que arranca o pai ou avo de casa para fazê-lo de viaduto de fila. agora tem mais isso, como se não bastasse aquelas sirigaitas ou gaiatos metidos a espertos que de última hora chegam com contas do semestre inteiro e entregam para aquele desmilinguido de caráter que sempre está a sua frente. e ainda fazem charme e chacota dos otários que estão na fila a tudo assistindo calados.

antes de entrar no capitulo o fila da fila, que é aquele tipo com cara de cão, que revolta-se contra tudo e contra todos, conclamando a uma tomada de ação para acabar com a violação da fila, normalmente já bastante alterado, ultrapassando os limites da fila em sí, cabe colocar os diversos filas da puta nas diversas vilas que existem por aí.

por exemplo, na fila do supermercado, a fila para pequenas compras, limite de dez unidades, diz a inútil plaqueta de aviso, porque tem sempre um ou mais carrinhos abarrotados por lá. confrontados com com os donos dos carros cheios os empregados sequer ousam apontar a plaqueta. aceitam até uma jamanta se lhes vier.

o mesmo se dá na fila para gestantes, idosos e portadores de deficiências especais. raramente se vê nelas mulheres grávidas, anciâos . mas o fila da puta portado da deficiência especial da paciência e do respeito aos outros já postou-se no caminho seja com o carrinho ou com o tubo de pasta de dentes e a nota de 50 para completar a falta de troco, com a desculpa que deixou o carro na faixa amarela e que não pode ser multado por isso e que se for vai processar o estabelecimento. é assaz costumeiro ele fazer isso esteja o caixa vazio ou ocupado por quem de direito.

direito? bem diz a lei que você não pode passar mais de 15 minutos na fila. o tempo da fama e da glória para alguns. mas a lei é torta. se você passa mais de 15 minutos no atendimento eletrõnico, no atendimento telefônico – sim porque há fila também até por telefone, é mole ou quer mais filas? – você realmente acredita que vai passar menos do que isso na fila do banco?(uma das boas razões para a greve dos bancários, mais funcionários, dizem eles, menos filas) bom, o fila da puta não acredita. por isso, ele tem os mais variados expedientes para furar a fila sob as bençãos do caixa. a começar da modalidade óleo de peroba, que é aquela normalmente usada por mulheres gostosas(ou que pensam que são) que chegam e dizem que estavam na fila e só saíram para pedir uma informação ou qualquer outra coisa inverossimil. normalmente, principalmente a depender do tamanho da bunda, cola. cola também quando é homem bonito ou forte pedindo a mulher. aí há protestos. mas como o fila da puta é forte, fica por isso mesmo. a não ser que o fila com cara de cão esteja na fila. aí a coisa normalmente engrossa. neste capitulo também existem vaga na fila dos fila das putas para os tipos mais diversos. os tipos variados que vão desde o se liga maluco, aos a fila de doido é mais adiante e por aí vai. mas o pior de tudo nesta situações é que nesta horas a polícia não entra na fila pra fazer justiça e manter o respeito a lei.

como cidadão razoavemente seguidor das regras, o que corresponde a ligeiramente grávido, ainda assim procuro me comportar na fila da maneira mais correta possível. mas devo confessar que as vezes, até involuntariamente, olha aí baixando o meu lado fila, fico propenso a ser eu o fila da puta da fila. na fila da loteria é o mais provavél.

frequento uma onde há quatro caixas ou guichês, como queira. na maioria das vezes só há duas funcionando. e quando chega a proximidade da hora em que a barriga ronca, apenas uma. é ai a fila estica ao limite do insuportável e do politicamente incorreto. nestas horas parece que todos os idosos do mundo engrossam a fila. sozinhos ou acompanhados, dos fila da puta da fila. e aí, eu, combatente na defesa dos direitos, não só dos idosos, mas de qualquer segmento, nesta hora fico cheio das vontades fazer letra a morta à lei. eles não tem culpa, eu sei. a culpa é do estabelecimeno, e de quem faz as leis no brasil e as joga as feras sem fiscalização e muito menos punição. mas, pelo amor de todos os santos na fila, eu também não tenho culpa e sinto-me desrespeitado por ver a troupe da terceira idade incessantemente a jorrar para o caixa enquanto eu fico ali parado sendo penalizado pelo único e exclusivo delito de não ter 60 anos ou mais. aliás, fico tão alterado nestas horas que corro o risco de ir parar noutra fila. a fila para o cemitério, onde nem aí conseguimos nos livrar dos filas da puta da fila. tento pensar que assim, não chegarei aos tempos em que irei usar os privilégios do uso da fila dos idosos, quando novamente minha pressão irá subir ao ver os fila das putas também nesta fila a furar-.me os direitos. mas nem sempre fico na fila dos que não oscilam a pressão e que são 12 por 8 seja qual for a fila, até mesmo na fila pra tirar pressão.

se fosse continuar, a fila seria interminável. portanto com alguns exemplos destas filas espero não ter deixado na fila dos que me acham um fila você agora já sabe de quê.

contudo, se depois de tudo isso, de ser escrachado nos seus mínimos direitos, chamado de otário, de metido a corretor do mundo, de ameaçado de espancamento até pela políciia ,que deveria lhe defender, você ainda quiser permanecer firme na fila da luta por seus direitos, resta-lhe recorrer a orgâos, como o procon, por exemplo, que estão aí pra isso mesmo.

só que, lamento informar, até aí você vai ter de ir pra fila. pro fim da fila. a fila dos que foram furados na fila por filas da puta que fizeram de você mais um fila da puta na fila.

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Sunday, September 03, 2006

no atacadão ou no makro

diz o código penal ou séria código civil, constituição, regulamento da piscina ? que toda pessoa é inocente até prova em contrário. se bem que isso não importa muito em terras brasilis. até porque ninguém respeita nenhum deles: a começar de quem o devia fazer cumprir. código de consumidor então, nem pensar.

como as normas, leis, parágragos tem no lombo o carrapato da interpretação, a coisa funciona mais ou menos assim: pobre, e preto ou sarará ? culpado! até prova em contrário. não sem antes cobrir o cidadão de porrada. já os de posses, habeas corpus tem o alcance do tamanho da banca, alínea sob os protestos do maluf and son.

impingidamente, para o makro e o atacadão, estruturas de distribuição originalmente pensadas para vender, em grosso, aos varejistas, todo cliente é ladrão. pelo menos os homens, que tiverem a infeliz idéia de adentrar o ambiente portando bolsas de porte maior ou mochilas e até famigeradas maletas 007, que esta coisa de mochila ser up to date das pastas de executivo, que nelas agora carregam seus lap-tops, é algo que só aconteceu na coluna da joyce pascovitch na virada do século.

pois bem: todo faceiro lá vou eu com minha mochilinha, da company ainda, demodê ? e meu i-bookzinho suado do tempo que publicitário ainda recebia salário que assim o permitia, atrás de uns – eu disse uns e não umas – periquitas a preço mais em conta. que o computador anda por volta dos nove mil reais a depender da configuração, o que me faz protegê-lo apertando a mochila ao peito(não vá você achar que sou mané para andar com mochila às costas, carregando valores) muito mais do que a menina do primeiro sutiã apertava os peitos com seu caderno tão vazio quanto o sutiã dela, ainda.

na entrada do makro sou recebido germanicamente, embora a bandeira seja holandesa — com mochila não pode! tire a mochila e coloque no armário, ali!

no makro ainda deu tempo de argumentar: que a mochila continha diversos pertences, incluindo os indispensáveis óculos, carteira com seus cartões, etc, que não iam ficar bem à mão, sem falar do computador. e que os guarda-objetos não ofereciam segurança, também eles, principalmente por que em caso de roubo ou sinistro dava minha cara a bofete se fosse indenizado, argumento que amoleceu por segundos a carantonha que me scaneava, scaneava ou sacaneava? de cima a baixo.

além de tudo, arrematei: diversas senhoras e senhoritas estavam no salão com bolsas que não poderia chamar de bocetas, já que de tamanho igual ou maiores que a minha murcha mochilinha. mesmo contendo o i-book. que como quase toda gente sabe tem menos de 15 centímetros( mas a performance, ah! a performance, de matar de inveja muito pecezão, digo como se estivesse fumando um cigarro depois, nostalgicamente noir, já que abandonei o castigo há mais de duas décadas e, como todo ex-fumante, tornei-me insuportável)

assim baforado, continuo e digo-lhes que passei. sim pela senhora que controla a roleta, com a admoestação de que poderia ser revistado a saída. saída onde um sistema de confererência, contraria as normas internacionais de segurança pois obstrui as portas, o que para acontecer basta o encontro de dois carros de compra. fiquem a imaginar aquilo no fim do mês. nisto e noutras coisas, makro e atacadão são iguais, para além do desrespeito à pessoa e ao cliente.

mas no atacadão a coisa foi pior. a vigia, segurança, madrasta, como é que poderíamos chamar mesmo aquilo que postava-se ao lado de um balcão na entrada ? tinha a physique du role de segurança de ponto de drogas. e o mau humor de quem de tpm teve de fazer sarapatéu de madrugada para o cunhado.

a três metros de distância já tava recebendo o ei! mocinho - o que já me deixou chateado, afinal são 51 anos ralando para adquirir aparência senhorial e já vou levando dedada assim – pode ir logo botando sua mochila no armário que com ela você não entra, nem pense, aja ou avance. alí uó !

ripostei direto por sobre os ombros que logo atrás de mim vinham mulheres com bolsas que mais pareciam sacolas de quermesse e que não lhes seria vedada a entrada, o que de nada adiantou, uma vez que a responsavél pela recepção aos clientes já reproduzia a análise vetorial dos meus trajes sentindo-se completamente a vontade para dar-me lições de autoridade pisando nos meus calos de sandálias havaianas, e nem eram dupé, pôxa!, o que leva-me pressupor que estivesse com um leiaute um pouco mais mauricinho e a recepção seria outra.

de imediato o acontecido me fez pensar em como funcionários sem maior informação,e por conseguinte, preparo são colocados na entrada emocional de uma superfície que vai me sacar uns bons trocados. estivesse eu com outra roupagem e haveria diálogo? não sei. também não chamei a gerência, como seria de se esperar, porque a esta altura o sangue me ferveu, até porque não utilizando o mau expediente do sabe quem eu sou, mesmo não sendo porra nenhuma, como a maioria que diz isso, levei eu com coisa parecida da figura de uniforme marrom que para além de irredutível, me estocava com o era só o que me faltava esse espertinho querer entrar aqui de mochila.

fatalmente, ia soltar os cachorros. e como animais não entram também no makro ou atacadão, o que é possível, no shopping das amoreiras, por exemplo, dei meia volta e consumidor revoltado fui roer unhas num supermercado de periferia, onde em meio a incerta achei meu periquita a preço de atacado e onde entrei de mochila, sendo recebido por um sorriso, que apesar do aparelho, foi suave o bastante para aliviar a tensão.

histórias como estas você não só vai encontrar como vai viver as “mil maravilhas” de como empresas de todos os portes – e não me digam que o makro tem espírito holandês – tratam os seus clientes no brasil.

de um jeito ou de outro para eles não passamos de patos a serem garfados. quando não no preço, nas instalações, na validade dos produtos, no respeito, à cidadania inclusive.

e o mais grave é que em estruturas como o atacadão, cujo público é composto em sua maioria por público de classe b,c,d,(isto é uma classificação de merda) tais como seus funcionários, aí é que a desconfiança e o preconceito para com seus pares manifestam-se em doses que não cabem na minha mochila mas levaram-me de rodo.

nestas alturas, chama-se o procon ? ou a secretaria de direitos humanos ?

da próxima vez, talvez, leve um advogado à tira-colo em vez da mochila. daqueles que processam estabelecimentos por tudo e mais alguma coisa.
notivos no makro e no atacadão não vão faltar. seja na entrada ou na saída.


originalmente publicado no cemgrauscelsius.blogspot.com na terça-feira, 13 de dezembro de 2005 e remetido ao makro e ao atacadão. o atacadão negou fogo à resposta. o makro, evasiva e covardemente diz ter registrado a correspondência e em caso de não satisfação que fosse contactado novamente o serviço. então experimenta você entrar lá de mochila novamente(sem bomba, por favor). e continuo a cata de advogados para os dois

Sunday, August 27, 2006

mais difícil? nem encerrar contrato de casamento

na sua vida de prazeres e utilidades elas correspondem a esposa e amante. não necessariamente nesta ordem. mas igualmente vorazes e insaciáveis. e não venham me tachar de machista ou misógino.

operadoras de tv a cabo, operadoras de celular. oferecem-se como uma maravilha de facilidades, exclusividades e tecnologia. promessas de casamento que não se concretizam ou se concretizam na pior parte. e não pense que deste casamento não sai filhos, porque sai. é só você cometer a besteira de embarcar em serviços tidos como plus ou promoções que arrastam você a um poço sem fim. pior só praga - e convivência - com sogra. existe alguma exceção ?

insistindo na analogia entre o contrato de serviços e o contrato de casamento, elas também não te escutam(não é esta a maior queixa dos casamentos?, principalmente na hora de encerrar o contrato, um capítulo a parte. sabe quando a esposa refugia-se na casa da mãe ou de alguma amiga um tempão e só sai de lá com o advogado em ponto de bala com intimações a torto e a direito? é igual.

e ai de você se precisar de assistência técnica. vai ficar de cuecas esperando, tal qul no casamento ? com aquela coisa inútil na mão. nem muda de canal, nem vibra, chôcha, inútil, exasperante, entediante. e tanto num caso como no outro, sempre tem uma antena a vista para você lembrar-se de que é corno a prestação(no caso da operadora de telefonia celular é mesmo um chifre sem tamanho).

serviços extras costumam vir embutidos em adendos ou nas eternas letrinhas miúdas. se você cair nessa, pode ter certeza, até com a bruna surfistinha sai mais barato. não? então experimenta mudar de plano, de cidade, de pacote. você vai sentir saudades dos bons tempos do orelhão e do bombril na antena, tendo plena certeza de que primeiro: a tecnologia oferecida só funciona em aparelhos de última geração a um preço de arranca orelhas. em relação as operadoras de tv a cabo, prepare-se para a grande frustação de ver que o strip-teaser que lhe foi mostrado foi usado um dublê de corpo. você apaixonou-se por uma que já não é a mesma na hora da performance. e haja filme(velho) repetido, jogo repetido, filme pornô repetido, receita repetida e interatividade? só se for com o boleto ricardão, aquele que só comparece para lhe fuder, sempre trazendo mais um aumento ou taxa disso daquilo.

por mais que dezenas, centenas, milhares, narrem a via crucis das tentativas de encerramento do contrato, com recordes dignos de guiness de tempo ao telefone e ou internet(isso quando as janelas abrem) outros milhares continuam acreditando no casamento. afinal quem vai acreditar que aquele sujeito descabelado, alterado, insone, revoltado, não tem culpa no fim da felicidade?

como se isso não bastasse você vai receber dezenas de cartas lhe ameaçando com o spc. e nisso justiça seja feita, eles cumprem. mesmo que você tenha todos os recibos de pagamentos e taxas de encerramento efetuados e em seu poder. mesmo que você vá a junta de conciliação ou procon, eles continuam ferrando você(veja nosso próximo post).

um pouco antes, de lhe querer ver atrás das grades, normalmente eles tentam a conciliação, oferecendo descontos, muitas vezes de até 30,50 e até mais por cento, para que você, ou melhor eles não abandonem o lar. é cilada. você fica, e logo tudo volta ao normal. ou seja: aporrinhação, aporrinhação, aporrinhação e gastos, muito gastos.

quanto a mim, tv a cabo? optei por ler. minha vida só enriqueceu após isto. voltei aos cine-clubes, aos clubes de vídeo, até ao cinema. quanto ao celular, agora posso ir e vir sem aquela coisa de fbi me seguindo. querem falar comigo, enviem -me sinais de fumaça que eu recebo num cyber mesmo que ele não seja café.

e pra você que me achou politicamente incorreto nas analogias, como se eu não soubesse que milhares de mulheres usam o serviço(tendo uns maridos que não valem um saco de pipoca ou cartão) tratem de fazer a sua versão feminina. porque negócio é o seguinte: tv a cabo(ou por assinatura) e operadoras de celular, até o meu lado feminino quer a viuvez.

Wednesday, August 23, 2006

genericamente falando

com o advento dos genéricos, uma medida tida como benéfica para o barateamento do dos remédios, hoje já não estão mais - há genéricos mais caros que o original - surgiu também mais uma da inventividade brasileira propensa a fuder o próximo: o similar.

o similar não tem comprovação de eficácia. ou seja, você pode estar levando um placebo - ou levando no placebo se quiser esta síntese - isso se der sorte, mal tido como menor do que levar um coquetel qualquer, o que se torna ainda muito mais perigoso, quando na lista dos similares, constam remédios para hipertensão ou diabetes por exemplo.

pergunta-se: porque raios deixa-se comercializar algo que não se sabe a eficácia ou o tamanho da desgraça em seu potencial?

com a palavra a anvisa, um dos orgãos da administração governamental, ele também, similar ?

Sunday, August 13, 2006

dando o troco ou na exata medida do amor pela minha mãe e meu cu

quantas e inúmeras vezes você já foi garfado em um ou dois, três centavos? dezenas. centenas. milhares de vezes? agora multiplique isto por milhões, além de você. o resultado, eu troco pelo meu salário, que apesar de já não ser o que era, ainda é salário de publicitário, e isso ainda fazendo doações de carteirinha. de puteiros a instituições de apoio a miséria alheia, para chegar a um líquido pra lá de sólido.

dizem que a culpa é do banco central. da falta de moedinhas ou da falta de brasilidade? e ai eu me lembro de um dos filmes do super-homem( o que caiu do cavalo) onde o homem do humor ácido, richard pryor - aquele que de tão viciado em cocaína, ateou-se fogo, hoje já falecido - fazia um personagem tido como simplório. de emprego invisível num banco. e que desenvolveu um programinha que arredondadava as frações, desviando os centavos para sua conta, tornando-se ele um bilhardário do crime, que acabou comprando bancos, inclusive o que ele onde trabalhava.

nós brasileiros, odiamos as moedinhas, cuja serventia até hoje é gerar pragas até a décima geração, quando são recebidas pelos pedintes em geral. e olhe que estes também contumazes contabilistas do de grão em grão, o que lhes dá um faturamento nunca menor que dois três salários mínimos. experimente dar-lhes umas moedinhas de um centavo se você não tem amor a sua mãe e ao seu cu.

as empresas em geral, são ainda mais matreiras. tudo é a 0,99. (só nos camelôs que é a um real. )3,99. 2,99. 6.99. nada é exato (para você). experimente também, se você não tem amor a sua mãe e ao seu cu, empacar a fila para exigir seu centavo de troco. no brasil, perde-se a cidadania por centavos também. e não só pelas grandes somas de maracutaias federais, o que nos leva a conclusão de que além da impôrtancia contabilística, se uma moeda não é nada, milhões de moedas são milhões, há a questão simbólica, mais absolutamente real e concreta do respeito a cidadania que não há: sé é 1,99, não é dois(porque não colocam então logo que é 2? não imagina o porquê ?) e que portanto não lhe darem sequer uma satisfação sobre a falta de troco, ou a balinha, isso quando a balinha custava centavos, significa muito mais, isso se não fossemos um povo que despreza as moedinhas, porque moedinha é coisa de pobre. de fudido. e é mesmo, estão nos fudendo de verde e amarelo a cada moedinha, perdôem-me a redundância, moedinha que é o preço do afeto ou desafeto que você tem pelo amor de sua mãe ou seu cu, que a julgar pelos fatos, não vale uma.

mas eu agora já decidi. chega de ser sacaneado sem cuspe. vou dar o troco. 1,99. então tome 1,98. vai encarar? e com isso, certamente não serei um milionário até o final do mês. mas no fim do ano, com certeza, vou me sentir menos fudido. isso se não me fuderem a fuça, com as ameaças que vou levar pela frente, certamente, o que pode me levar para sarjeta onde também recusarei a tal moedinha praguejando-lhe o valor do preço do afeto que você tem pelo amor de sua mãe ou do seu cu.

mas, se lhes serve de consolo, antes pela frente, do que pelas costas. a tal moedinha faz um estrago sem tamanho no piloro, ou melhor, nos pilares da nossa nacionalidade.
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